Games

A exposição de Kojima abre hoje — e quer mostrar o que os jogos escondem

Por Dudu Mendonça 31 de outubro de 2026 0 comentarios
Ilustração conceitual de uma galeria escura com uma porta vermelha iluminada e vitrines de protótipos; não é foto da exposição.

BEYOND THE STRAND reúne protótipos, documentos de criação, objetos de OD – KNOCK e uma instalação imersiva. O interesse está em observar como uma ideia atravessa tentativas até virar um mundo jogável.

Uma estátua de personagem chama atenção; um protótipo descartado pode explicar melhor como um jogo nasceu. É essa segunda camada que a Kojima Productions coloca no centro de BEYOND THE STRAND, exposição que abre hoje, 31 de outubro, na Azabudai Hills Gallery, em Tóquio, e fica em cartaz até 20 de dezembro.

O estúdio apresenta a mostra como um percurso por sua primeira década, com materiais de produção, instalações e vídeos criados para o evento. A promessa mais atraente para quem acompanha games não é simplesmente rever personagens conhecidos: é aproximar o público de escolhas, experimentos e ferramentas que normalmente desaparecem quando o jogo chega pronto.

Do caderno escolar ao primeiro protótipo

Entre os itens anunciados está um trabalho escolar sobre um livro que Hideo Kojima escreveu no ensino médio. A exposição também promete exibir imagens de um protótipo inicial de DEATH STRANDING, além de arte original de Yoji Shinkawa e outros materiais de produção que ainda não haviam sido mostrados ao público. A GQ Japan especifica que o trabalho escolar era sobre The Rope, de Kōbō Abe.

Esse contraste de escala ajuda a contar uma história: antes de existir um mundo reconhecível como Death Stranding, havia referências pessoais, desenhos, hipóteses e versões que não chegaram ao jogo final. Ver os dois extremos lado a lado pode tornar visível que a direção de um jogo não nasce pronta — ela é construída por tentativas e decisões. Essa é uma leitura do percurso anunciado; ainda não há relato independente de como cada sala foi montada.

Ilustração conceitual de um caderno de rascunhos, maquete de cenário e mapa digital em uma mesa de criação.
Ilustração conceitual: referências, rascunhos e maquete representam uma etapa possível de criação; não são materiais reais do estúdio.

Uma sala conectada ao estúdio, não só uma retrospectiva

O espaço também deve conversar com o presente do estúdio. Segundo a página oficial, a instalação será conectada continuamente ao escritório da Kojima Productions pelo sistema de telepresença MADO, usado para apoiar a produção durante a pandemia. O evento ainda promete materiais de desenvolvimento de DEATH STRANDING 2: ON THE BEACH, incluindo conceitos de final e registros de pesquisa de locações.

Há um detalhe que pode transformar a exposição em algo mais vivo do que uma sequência de vitrines: visitantes poderão ver o escritório em tempo real e, segundo a GQ Japan, talvez interagir com integrantes da equipe por meio da tela. A página oficial confirma a conexão; a possibilidade de conversa aparece na reportagem japonesa e não deve ser tratada como garantia de encontro ou resposta.

Ilustração conceitual de uma sala imersiva com projeção panorâmica e visitantes em silhueta.
Representação conceitual da experiência panorâmica de 360° anunciada; a sala e a projeção não documentam a exposição real.

A experiência culmina numa projeção de DEATH STRANDING em uma tela circular de seis metros de diâmetro. Para uma franquia construída em torno de paisagens e deslocamentos, mudar a escala de uma tela doméstica para uma instalação ao redor do visitante altera a relação com o cenário — não é o mesmo que jogar, mas dá outra dimensão à imagem. O evento anuncia essa instalação como uma experiência audiovisual de 360 graus.

A porta de OD mostra o limite entre pista e promessa

A área de OD – KNOCK, projeto ainda em desenvolvimento, terá uma reprodução em tamanho real da porta vermelha vista no teaser, além de objetos usados na filmagem. É uma forma de aproximar o visitante de um projeto sobre o qual ainda há poucas informações públicas. A mostra pode mostrar como aquele teaser foi construído, mas isso não confirma data de lançamento, mecânicas ou detalhes da história de OD.

Esse limite importa: um objeto de cenário pode despertar teorias, mas não funciona como anúncio de recurso jogável. A exposição vale mais como janela para o processo material — arte, objetos, tecnologia e experimentação — do que como promessa de novas revelações sobre os jogos futuros.

O que está confirmado para quem pretende visitar

BEYOND THE STRAND acontece na Azabudai Hills Gallery, em Tóquio, até 20 de dezembro. Nos fins de semana e feriados, o horário anunciado é das 10h às 20h, com última entrada às 19h30; durante a semana, abre ao meio-dia. Para os quatro primeiros dias, de 31 de outubro a 3 de novembro, é necessário ingresso de prévia. A venda de ingressos regulares para datas de 4 de novembro a 20 de dezembro aparece no site oficial.

Uma exposição de aniversário pode ser só uma coleção de lembranças. O formato anunciado aqui tenta ligar lembrança a método: colocar uma referência antiga, uma versão inicial, ferramentas de produção e uma instalação contemporânea no mesmo percurso. Se funcionar, o visitante sai com mais do que nostalgia — sai vendo como uma ideia muda de forma até se tornar um lugar que milhões de pessoas podem atravessar.

Fontes

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *