Folklorists, previsto para meados de 2027, coloca investigadores dos anos 1860 diante de lendas — e termina cada caso com uma nova versão do conto.
Em muitos RPGs de horror, descobrir a origem de uma criatura encerra o mistério. Em Folklorists, o grupo ainda precisa decidir o que fará com a lenda depois de enfrentá-la. A nova obra da Chaosium transforma pesquisadores do folclore em protagonistas de investigações sobrenaturais no século XIX e propõe que cada caso termine com uma reinterpretação do conto como aviso para as próximas gerações.
A editora anunciou o jogo em 30 de outubro, durante a Chaosium Con EU, em Gdańsk, e prevê o lançamento geral para meados de 2027. A proposta nasceu, segundo o designer Pedro Ziviani, de uma sessão improvisada com estudantes de folclorística que criaram histórias a partir de motivos de contos de fadas e cartas sorteadas.
A investigação também muda a história
O ciclo descrito pela Chaosium começa com pistas organizadas em cenas. Uma contagem baseada em cartas pressiona os investigadores a decidir como lidar com o mito. Depois, eles confrontam a criatura e testam se suas teorias estavam certas. Um erro pode trazer consequências; uma vitória pode neutralizar o mito. Só então o grupo cria uma nova versão da história, que funcione como advertência para quem vier depois.
Esse fechamento altera o papel dos jogadores. Eles não apenas reconstroem o que aconteceu nem escolhem se atacam ou fogem: também definem qual memória será transmitida. É uma leitura da estrutura anunciada, não uma garantia de que o livro imponha uma interpretação moral única para cada folclore.

Como isso poderia funcionar numa mesa
Imagine, como exemplo hipotético, uma comunidade que evita atravessar uma ponte depois do pôr do sol. Os investigadores recolhem versões contraditórias da história, encontram pistas que apontam para uma presença sobrenatural e usam a contagem de cartas para sentir a pressão do tempo. Na confrontação, a teoria escolhida pode funcionar ou cobrar seu preço. Ao final, os jogadores inventam uma nova versão da lenda para explicar o perigo e orientar quem passará por ali.
Esse exemplo não descreve uma aventura do livro. Ele apenas mostra como a sequência anunciada pode dar consequência narrativa a uma investigação: a resposta do grupo não termina com a criatura, pois também altera a história que a comunidade contará.
A editora diz que sessões podem durar menos de duas horas e não exigem preparação prévia. O jogo usa um baralho comum, anotações e alguns marcadores, atende de duas a seis pessoas e terá regras para jogar sozinho ou sem mestre. Esses detalhes sugerem um formato de entrada rápida, embora seja preciso esperar uma demonstração ou o livro para avaliar o ritmo real das regras.
O que ainda falta saber
Folklorists está em desenvolvimento há mais de dez anos, segundo a Chaosium, e passou por testes em convenções. A editora ainda não divulgou o preço, uma data precisa, exemplos completos de casos ou como cada tipo de folclore será pesquisado e apresentado. Por isso, a ideia de aprendizagem cultural aparece no relato do criador, mas o anúncio não permite avaliar como o livro tratará tradições específicas.
O conceito tem um gancho claro para quem gosta de horror investigativo: transformar a conclusão do mistério em autoria coletiva. Em vez de só descobrir qual criatura estava por trás dos sinais, a mesa precisa escolher o que a próxima geração vai ouvir sobre ela. Se o livro equilibrar pesquisa, suspense e invenção sem simplificar as tradições que inspira, poderá oferecer algo diferente para sessões curtas.
Buteco